O “Os sentidos que constroem uma fotografia” é um projeto que será uma série de posts aqui no blog, no qual irei analisar as fotos e a estética de diversos fotógrafos – em sua maioria brasileiros -.

A lista de posts será atualizada aqui sempre que sair um post da série.

Antes de tudo preciso dizer: Estou tão animada! Esse “projeto” foi meu TCC da faculdade, mas eu gostei tanto do que fiz que eu queria continuar de alguma forma. Daí a ideia de transformar em uma série de posts de Blog e continuar analisando os fotógrafos e as imagens que eles produzem com a técnica que “criei” (muitas aspas em criei), só que sem todo o adereço que o TCC exigiu. Preciso deixar claro que o meu estudo é feito a partir da Semiótica e das ideias de Peirce. O título original era “Análise fotográfica sob a semiótica Peirceana: Os sentidos que constituem uma imagem.” Enfim, antes de efetivamente começar a analisar as imagens, eu vou repassar algumas reflexões aqui. Se você quiser pular diretamente para as entrevistas, sinta-se a vontade. 😀

Antes de começar, um grande resumo de tudo…

O que é fotografia, onde vive, como se alimenta?

Quando pensamos em registrar algo para gerações futuras a primeira coisa que pensamos, se não a única coisa, é… Uma foto. A fotografia é tão presente em nossas vidas que mal pensamos em outras maneiras de registro, só que, o ato de registrar sequer começou com a fotografia.

Muito antes de tirar fotos, antes mesmo de ler ou escrever, nós humanos procuramos modos de nos comunicar e fazer registros do nosso mundo. A evolução da comunicação humana passou pela arte rupestre, pela construção de esculturas e bustos, pela criação da linguagem e da escrita, por pintura e seus movimentos artísticos e por muitos outros modos de se comunicar e registrar, até, finalmente, chegar na era fotográfica.

Entender alguns processos, nos faz ter maior dimensão do que fazemos, ou seja: Como e porque tiramos fotos do jeito que tiramos? Isso pode ser um pouco explicado pelos paradigmas da criação de imagem, que se dividem no Pré-Fotográfico, O Fotográfico e o Pós Fotográfico.

Então vamos lá. O Pré fotográfico é composto pelas artes antes da fotografia de fato existir. É a criação manual das coisas, e elas únicas e irreplicáveis, eram apreciadas em locais especiais e por aí por aí vai. O paradigma Fotográfico já é composto por fotografias e elas tinham como proposta o registro e a documentação.

fotografia de família da fotográfica linda mccartney

Com o passar do tempo, o que era registro (fotos lindas da gente sem dente que nossos avós e pais tiravam, bem diferente das fotos que a linda mccartney tirava da família dela) transformou-se em produto social. E essa transformação da fotografia em produto social se intensifica no universo Pós Fotográfico. Com as redes sociais, as fotografias são produzidas e reproduzidas diversas vezes, para incontáveis pessoas, e acabam se tornando objetos culturais que compõem a vida social. Tiramos fotos no pós fotográfico não para registrar um momento ou guardar memórias, sim para legitimar experiências do agora. “Se não tem foto não aconteceu.”, já ouviu isso?!

Então considerando a fotografia como produto social, estudar e analisar fotos abre a possibilidade de compreender a realidade, o universo simbólico e o sistema cultural do homem, desvendando crenças, cultura e o sistema de identidade social de um determinado momento histórico. 

Só que temos sempre que nos lembrar que as imagens (arte, fotografia…) são uma combinação da realidade e da imaginação. Quem a produz (o fotógrafo) determina como ela será através de técnicas fotográficas e ângulos, criando potenciais significados para aquela imagem. Porém, se analisada semioticamente (desculpa a palavra gente, semiótica é o estudo a construção do significado das coisas), cada imagem é um signo (vou explicar sobre signos no próximo post) que carrega uma série de significações e também possui uma infinidade de signos. Tradução: A foto tem seu significado. E seus significados podem ter milhões de significados e assim por diante.

Teoricamente: O que uma pessoa do Egito, em 1618 pensaria ao ver essa foto? Com certeza coisas bem diferentes de você, um Brasileiro em 2020.

O que a gente pode concluir é que uma fotografia não se resume a técnica fotográfica e em copiar o mundo ou só registra-lo, mas sim em perceber que as imagens são produções fruto de uma experiência humana. Uma fotografia é a fusão entre o olhar do fotógrafo e o significado dado por ele e o significado dado por aquele quem interpreta a foto (quem a vê).

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